CAATINGA RETIRA DA ATMOSFERA 5,2 TONELADAS DE CARBONO POR ANO

02/05/2024

Você sabia que a Caatinga, bioma exclusivamente brasileiro, retira da atmosfera uma média de 5,2 toneladas de carbono por hectare, todos os anos? Graças a uma pesquisa liderada pelo Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga (OndaCBC), que comparou este bioma genuinamente brasileiro com outros trinta lugares áridos ao redor do mundo, podemos comprovar que a caatinga supera até mesmo as florestas da Amazônia em eficiência no uso de carbono!

Todo esse trabalho foi desenvolvido em parceria com instituições renomadas como a Embrapa Semiárido (PE), Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE), Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e Instituto Nacional do Semiárido (INSA). As investigações realizadas ao longo de quase uma década revelaram que a Caatinga conseguiu retirar da atmosfera uma média de 527 gramas de carbono por metro quadrado ou 5,2 toneladas por hectare.

O professor Bergson Bezerra, da UFRN, líder da rede de torres de fluxo do OndaCBC, esclarece que, ao ser comparada com as florestas áridas ao redor do mundo, de todos os pontos que foram analisados, o valor máximo obtido foi 548 gramas de carbono por metro quadrado, registrado em uma floresta no Peru. “Os demais valores são inferiores a esse; inclusive houve áreas que se comportaram como fonte de CO2. Portanto, a Caatinga está seguramente entre os maiores sumidouros entre as florestas áridas do mundo”, completa.

As florestas tropicais sazonalmente áridas, como a Caatinga, desempenham um papel crucial como sumidouros de carbono, ou seja, depósitos naturais que absorvem e capturam o CO₂ da atmosfera, reduzindo sua presença no ar, com implicações para o clima local, regional e global. Estes processos são influenciados pela distribuição espaço-temporal e pelos volumes de chuva, que afetam diretamente a cobertura vegetal.

COMO ISSO É FEITO?

Desde 2010, o Observatório Nacional da Dinâmica da Água e do Carbono no Bioma Caatinga, que é integrado ao programa de Institutos Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação (INCTs), realiza a coleta de dados em várias torres micrometeorológicas, conhecidas como torres de fluxo, localizadas em municípios de Pernambuco (Serra Talhada, São João e Petrolina), Paraíba (Campina Grande) e Rio Grande do Norte (Caicó e Serra Negra). A mais antiga e completa dessas torres está instalada na Embrapa Semiárido, em Petrolina (PE), que monitora há 13 anos uma área de Caatinga nativa, na sede da instituição.

Foram utilizados dados disponibilizados na rede internacional de fluxo, a FluxNet, que engloba dados mundiais de fluxos de energia, carbono e água, englobando áreas de países como Estados Unidos, Canadá, México, a região do Sahel na África, Espanha, Austrália e até mesmo uma região subpolar semiárida na Rússia.

Confira mais informações sobre esta pesquisa no site oficial da Embrapa:
https://www.embrapa.br/en/busca-de-noticias/-/noticia/88549836/em-quase-uma-decada-caatinga-retirou-da-atmosfera-52t-de-carbono-por-hectare-anualmente